Até onde a ciência pode avançar?


 

Presenciamos um período de grandes avanços tecnológicos: as células tronco, a nanotecnologia, a clonagem, a neurociência e os avanços na comunicação(como a internet) são bons exemplos. Já se fala em substituir orgões, consertar códigos genéticos com defeito – que geram doenças e diversos problemas de saúde – e até em cura para a AIDS. São incontáveis avanços, presentes no nosso dia-a-dia, que facilitam a nossa vida.

 

Ninguém nega que esses avanços são importantes: eles nos ajudam a viver mais e melhor. Porém, pouco se discute se há um limite ético para eles. Podemos clonar seres vivos indiscriminadamente? Podemos usar células que poderiam gerar uma vida para curar outros seres humanos? Podemos criar ratos florescentes? Podemos criar ratos com orelhas nas costas?

 

Teoricamente, podemos. A questão é: temos o direito de fazer isso?

 

Vamos dizer que sim, temos esse direito. Somos superiores, conseguimos isso. Qual o problema de criar um rato florescente ou usar células que poderiam gerar uma vida para, por exemplo, criar um coração novo? É “pelo progresso da ciência” (clichê bastante usado nos dias atuais). Acontece que, se admitimos isso, porque não podemos implantar orelhas nas costas de seres humanos? Ou chips na cabeça de seres humanos, e obriga-los a andar aonde queremos? Pode parecer um absurdo, mas já se faz isso em ratos. Clique aqui para ver.

 

Outro caso que mostra claramente a necessidade de um limite ético para os avanços da ciência é a clonagem. Se conseguirmos clonar um ser vivo com relativa facilidade, e este ficasse vivo durante muito tempo, deveríamos fazer isso? Se, como no filme Parque dos Dinossauros, pudéssemos recriar os dinossauros a partir do DNA conservado em âmbar, deveríamos fazer isso? Todos que já assistiram o filme sabem que o final é bem catastrófico. É realmente isso que queremos para o nosso futuro?

 

Já existem debates no terreno da ética na ciência. Um dos mais atuais(e mais famosos) é o relacionado ao uso de fetos para se retirar células tronco: muitos consideram este procedimento a destruição de uma vida, e argumentam que existem outras formas de se obter células tronco. Outros discordam, e acreditam que essa pesquisa é necessária. Afinal, as células tronco embrionárias(tiradas do feto) tem maior capacidade de se especializar em outras células e, portanto é mais fácil de realizar pesquisas com elas.

 

Entretanto, devemos tomar cuidado para não radicalizarmos o debate demais. Muitos acreditam que impor limites éticos significa, por exemplo, parar de usar animais como cobaia. Em alguns casos, já se usa apenas as células e os tecidos para realizar os testes. Porém, infelizmente, não existe uma solução melhor para testar medicamentos em muitos casos – não entrarei na questão do teste de cosméticos – do que usar os animais. No futuro, pode se achar uma solução para esta situação.

 

A principal questão que deveríamos debater é: tudo que a ciência é capaz de fazer deve ser realmente feito? Onde isso nos levará? Podemos pagar um preço muito alto ao tentar, a qualquer custo, avançar na ciência. Ou como disse Dr Ian Malcolm, em Jurassic Park: “Seus cientistas estavam tão preocupados se eles podiam ou não podiam fazer, que eles não pararam para pensar se eles deveriam.”

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s